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Arquivos América do Sul – Viajão https://www.viajao.com.br/bkp/tag/america-do-sul/ construímos memórias Fri, 27 Nov 2020 12:49:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.viajao.com.br/bkp/wp-content/uploads/2018/10/cropped-IMG_2510-32x32.jpg Arquivos América do Sul – Viajão https://www.viajao.com.br/bkp/tag/america-do-sul/ 32 32 25 livros para viajar sem sair do sofá https://www.viajao.com.br/bkp/livros-para-viajar-sem-sair-do-sofa/ https://www.viajao.com.br/bkp/livros-para-viajar-sem-sair-do-sofa/#comments Sat, 21 Mar 2020 10:00:12 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=11952 Em tempos de coronavírus fica difícil pensar em planejar novas viagens... Enquanto isso, para ajudar todos que já estão sentindo falta de novos cenários, selecionei 25 livros para viajar sem sair de casa. São livros muito queridos por mim e que me ajudaram a entender melhor o mundo.

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Estamos vivendo tempos delicados… E se no momento ainda não dá para planejar viagens, dá para aproveitar essa época de isolamento social recomendado para ler e pesquisar, certo? Por isso, escolhi 25 livros para viajar sem nem precisar sair de casa. São histórias muito queridas por mim, que me ajudaram a entender melhor o mundo – nem que seja um pouquinho. Espero que seja útil para vocês também.

Ah, muitos deles eu li no Kindle – um dos acessórios indispensáveis para viajantes que gostam de ler. Afinal, é muito leve e compacto. Dá para levar uma biblioteca na mala sem ultrapassar os limites de bagagem. O meu é o Paperwhite normal, mas tem também a versão à prova d’água. A capinha que uso pra protegê-lo é essa aqui.

Sobre coronavírus:

Restrições de viagem: o que mudou por conta do coronavírus

Como adiar ou cancelar viagens por causa do coronavírus

Brasil: A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, Martha Batalha

No Rio de Janeiro dos anos 1940, Guida Gusmão desaparece de casa. Os pais ficam preocupados. A irmã Eurídice, arrasada, precisa seguir sua vida. Mesmo que de formas bem diferentes, as duas acabam tendo que tomar decisões pressionadas pela sociedade da época. E nenhuma delas parece muito feliz com as escolhas. Em uma sociedade (ainda mais) machista, as duas levam a vida como podem.

O texto é irresistível, bem humorado apesar de tudo. E acho muito difícil que as mulheres não se identifiquem com a história. Tenho também um sentimento de nostalgia pelo Rio do século passado que nunca vou conhecer.

Obs.: esse livro ganhou uma versão em filme recentemente. Com o título de A Vida Invisível, a história tem pouco a ver com a do livro. Honestamente, detestei (haha).

Peru: Travessuras da Menina Má, Mário Vargas Llosa

Coloquei Peru só porque é lá que a história começa (e porque Vargas Llosa é peruano). Mas a gente viaja também por Paris, Londres, Tóquio e Madrid neste livro. A obra é sobre a história de amor pouco usual entre Ricardito e Lily – ele se apaixona por ela ainda na infância e os dois vão se reencontrar e se desencontrar pelo mundo. É tipo um jogo de gato e rato misturado com War (haha).

Mas mais do que uma história de amor, esse livro é também um retrato das mudanças pelas quais o mundo passou no século passado. O texto é sensacional, impossível parar de ler. Não é a toa que Vargas Llosa levou o Nobel de literatura, né?

Estados Unidos: A Menina da Montanha, Tara Westover

Essa é uma história real de uma menina nascida nas montanhas de Idaho, em uma família que acreditava que o fim do mundo estava prestes a chegar a qualquer momento. Os pais (em especial o pai) não acreditava nas instituições como colégios, faculdades, hospitais e estocava todo tipo de alimento. 

Mas o fanatismo vai escalonando de forma absurda ao longo da infância e adolescência de Tara, o que fazia a vida dela e dos irmãos ser posta em risco constantemente. Aos 17 anos, Tara escolhe tentar um novo tipo de vida e pisa pela primeira vez em uma sala de aula. Im-pres-si-o-nan-te! Só leiam!

Estados Unidos: As Cataratas, Joyce Carol Oates

Joyce Carol Oates é uma das melhores escritoras do nosso tempo – é cotada faz tempo para o Nobel. Nesse livro, ela transforma as Cataratas do Niágara em um personagem fascinante. Em 1950, um homem atravessa os portões que dão entrada às Cataratas, sobe na grade e se joga. Na véspera, ele havia se casado com Ariah, que só foi entender o que acontecera depois de encontrar o bilhete do marido no espelho do banheiro. A partir daí, o livro vai narrar a história dela ao longo das décadas. As Cataratas seguem presente durante toda a saga, como uma força da natureza impossível de ignorar.

Barbados: Eu, Tituba, Bruxa Negra de Salém, Maryse Condé

Nascida em Barbados no século XVII, Tituba foi uma mulher real. Ela foi escravizada e enviada para os Estados Unidos – como entendia de ervas e plantas, foi considerada bruxa e perigosa. Participou do famoso julgamento das Bruxas de Salém, nos Estados Unidos. E volta à vida com esse livro que mistura ficção e registros históricos. A história e o texto são maravilhosos! E esse livro levou o Academy Prize 2018, uma espécie de prêmio Nobel paralelo.  

Itália: Saga Napolitana, Elena Ferrante

Essa indicação é 4 em 1, porque a saga tem quatro títulos: A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Foge e de Quem Fica e, por fim, História da Menina Perdida. Em Nápoles, na Itália, duas meninas formam uma amizade que vai durar a vida toda. Lila, esperta, destemida e ambiciosa. Lena, inteligente, disciplinada e leal. Entre idas e vindas, as duas vão acompanhar as transformações do país a partir da década de 1950. Porém a saga já começa com um mistério nas primeiras páginas do primeiro livro: Lila sumiu e ninguém sabe onde foi parar. 

Obs.: A primeira temporada da série – inspirada no primeiro dos livros – já está disponível na HBO e é maravilhosa. 

França: Submissão, Michel Houllebecq

Um dos autores franceses mais polêmicos mostra um futuro próximo em que o vencedor do segundo turno das eleições na frança é um homem muçulmano. Mohammed Ben Abbed é considerado um político conciliador, que tem como objetivo algumas mudanças sociais. De outro lado, François, um acadêmico solitário, aprende a lidar com as mudanças na sociedade. 

Obs.: Esse livro foi escrito pouco antes dos atentados na França em 2015 – e lançado bem no olho do furacão. O livro gerou bastante burburinho porque, em certos aspectos, Houllebecq pareceu prever o futuro.

Holanda: Tirza, Arnon Grunberg

Jorge Hofmeester tinha, aparentemente, uma vida perfeita. Casa em bairro nobre de Amsterdã, esposa, duas filhas – uma delas é Tirza, sua favorita. Até que, sem razão lógica, tudo parece começar a ruir – seu casamento, a filha Ibi que é pega em situação constrangedora com o vizinho, Tirza que parte para uma viagem pela África… Apesar dele tentar manter o autocontrole, a tensão vai crescendo até culminar num dos finais mais surpreendentes que li nos últimos tempos (e, sim, dá um pau em muito thriller que todo mundo cultura por aí, viu?). 

Turquia: Neve, Orham Pamuk

Orham Pamuk é um dos meus escritores favoritos. E em Neve, ele conta a história de Ka, um poeta turco exilado na Alemanha que volta para sua cidade natal na Turquia para investigar uma onda de suicídios entre jovens muçulmanas. Durante a visita, uma nevasca vai bloquear todo o vilarejo – onde um casal vai liderar um golpe militar. Impressionante como Pamuk consegue, com seu texto, nos transportar para uma vila isolada no meio do inverno turco. Ele também foi vencedor do Nobel de literatura. 

Irã: Persépolis, Marjane Satrapi

Nascida no Irã do final dos anos 1960, Marjane tinha 10 anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico para frequentar a escola. E Persépolis é a história em quadrinhos que ela escreveu para contar sua vida e um pouco da história do Irã, que foi jogado num regime xiita conservador e opressor. É uma das histórias em quadrinhos mais famosas do mundo e tem um motivo: é maravilhosa. 

Rússia: O Mestre e a Margarida, Mikhail Bulgakov

Irônico, divertido e engraçado. Acho que são as palavras que melhor descrevem esse livro. Já nas primeiras páginas, o Diabo desembarca em plena Moscou dos 1930, durante o regime comunista. Com um estilo muito original, Bulgakov narra as confusões e a loucura que Satanás e seus seguidores vão causando na vida cotidiana na cidade. 

Ruanda: Nossa Senhora do Nilo, Scholastique Mukasonga

Um dos temas pelos quais mais me interesso é a história do genocídio Tutsi em Ruanda, então não poderia deixar de incluir alguns livros sobre assunto. Aqui, Scholastique, que é Tutsi, narra a vida em uma escola para meninas no alto das montanhas, perto da nascente do Nilo. Lá, existe um sistema de cotas étnicas que limita a 10% o número de alunas da etnia Tutsi. Por meio do olhar das meninas, podemos acompanhar o início da escada de violência que dizimou milhões de pessoas nos anos 1990. 

Ruanda: Meu Pequeno País, Gael Faye 

A história começa no Burundi, em 1992, onde nasceu Gabriel – filho de pai francês e mãe ruandesa. Esse é um relato autobiográfico do genocídio em Ruanda visto pelos olhos de uma criança. A família mora em um bairro nobre no Burundi, mas não demora muito para que os efeitos da onda de violência cheguem até eles – os funcionários do pai começam a faltar, os amigos não podem mais se reunir para brincar… Até que a mãe resolve voltar ao país de origem para tentar salvar a família. Maravilhoso. 

Nigéria: Meio Sol Amarelo, Chimamanda Ngozi Adichie

Bom, Chimamanda é uma das minhas autoras favoritas e eu gosto de tudo que ela escreve. Mas Meio Sol Amarelo, seu livro mais duro, tem um lugar especial no meu coração. Tendo como pano de fundo a guerra que tentou dividir a Nigéria em duas nações na década de 1960, o livro conta a história de duas irmãs, Olanna e Kainene. É um relato maravilhoso sobre como viver em meio a meio a guerra – ou melhor, sobreviver. 

Gana: O Caminho de Casa, Yaa Gyasi

Um dos meus livros favoritos da vida, já perdi as contas de quantas vezes indiquei e assim vou seguir fazendo. O Caminho de Casa é um livro muito importante e merece ser lido. Escrita portam autora de origem ganesa (ela se mudou ainda criança para os Estados Unidos), a história acompanha a vida de duas irmãs e seus descentes ao longo dos anos. Uma delas fica em Gana. A outra é escravizada e levada para os Estados Unidos. Os capítulos se intercalam para contar sobre os caminhos que cada uma das linhas da família seguiu até os dias de hoje. 

Índia: Todas as Cores do Céu, Amita Trasi 

Para quem quer entender um pouco sobre a complexa sociedade indiana e seu regime de castas, esse livro é uma forma de começar. Mukta, uma menina que pertence a uma casta de mulheres que são obrigadas a servir aos homens (inclusive sexualmente) é resgatada por um ativista que a leva para viver em sua casa em Mumbai. Lá ela conhece a irmã, Tara, com quem aos poucos se conecta. Anos depois, Mukta é sequestrada – já adulta, a irmã tenta encontrá-la. Tem como pano de fundo os ataques terroristas de 2008 em Mumbai. 

Índia: O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy

Enquanto a história aqui em cima se passa em Mumbai, essa se passa em Querala, bem ao sul da Índia. Tal qual o Brasil, a Índia é um país de dimensões continentais – e por isso o cenário é completamente diferente. Aqui, dois irmãos gêmeos, Rahel e Estha, crescem em meio aos potes de compota e pimenta da fábrica da avó. Aos poucos, os dois vão descobrindo o mundo – suas belezas e crueldades. Enquanto isso, a mãe também enfrenta as dificuldades de um país dividido em castas. O ritmo da história é mais lento e o texto é super poético, muito bonito. 

Camboja: Primeiro Eles Mataram Meu Pai, Loung Ung

O Camboja é um dos países que mais me emocionaram – e até hoje um dos que mais amei conhecer. Nesse relato autobiográfico, a autora narra como foi o regime do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, a partir de abril de 1974. Ela, que era filha de um funcionário do governo, é transformada em uma criança-soldado, enquanto vê seus irmãos serem levados para campos de trabalhos forçados. Muito interessante para entender as cicatrizes desse regime que o país carrega até hoje. 

Obs.: O filme baseado nesse livro está na Netflix. A direção é da Angelina Jolie, que se apaixonou pelo país ao gravar Tomb Raider – tanto que seu filho Maddox é de origem cambojana. 

Coreia do Norte: Para Poder Viver, Yeonmi Park

Outro relato autobiográfico, dessa vez sobre a fuga de uma menina norte-coreana do país. Yeonmi Park conta um pouco da sua vida no país mais fechado no mundo – a rotina de se alimentar com plantas selvagens e insetos, a rotina de ver vizinhos e conhecidos sumindo de repente. Aos 13 anos, ela e a mãe resolvem fugir passando pela China, Mongólia e, por fim, Coreia do Sul. 

Coreia do Sul: A Vegetariana, Han Kang

Se fosse um filme, A Vegetariana certamente seria um filme de terror. Ao acordar de um sonho, Yonghye passa a se recusar a cozinhar, comer e servir qualquer tipo de carne. E o que parecia ser uma decisão simples acaba transformando a vida dela em um inferno. A Vegetariana é, para ser um pouco simplista, uma alegoria sobre como a sociedade tenta controlar a vida das mulheres. É um livro um pouco perturbador, mas muito interessante. 

China: Mudança, Mo Yan

O chinês Mo Yan, vencedor do Nobel de literatura em 2012, tem um texto singelo, tão bonito. Nesse livro, ele, que nasceu em uma região rural de Shandong, ilustra de forma muito simples os contrastes da China contemporânea. Fácil e rápido de ler. 

Japão: Caçando Carneiros, Haruki Murakami

Lançado no Japão na década de 1980, foi Caçando Carneiros que fez Haruki Murakami ficar mundialmente famoso – até hoje segue como um dos mais cotados ao Nobel. E essa obra dá uma boa ideia do que a escrita dele – cheia de sutilezas, mistérios, fatos inexplicáveis e pequenos detalhes que é preciso captar no ar. O protagonista da história trabalha em uma agência de publicidade e leva uma vida tranquila, até que recebe uma carta misteriosa que o leva em uma viagem pelo Japão em busca de um único carneiro.

E se você tiver outras sugestões de livros que nos ajudam a entender melhor a cultura de um país, deixa aqui nos comentários!

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8 experiências para viver em Buenos Aires https://www.viajao.com.br/bkp/8-experiencias-para-viver-em-buenos-aires/ https://www.viajao.com.br/bkp/8-experiencias-para-viver-em-buenos-aires/#comments Fri, 29 Mar 2019 10:00:10 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=11075 Eu não sei bem explicar o motivo, mas eu adoro Buenos Aires. A principal dica sobre a cidade é: visite os pontos turísticos mais famosos. Mas como nós gostamos de construir memórias, eis algumas experiências para se viver na capital argentina.

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Eu não sei bem explicar o motivo, mas eu adoro Buenos Aires. Talvez seja porque foi o primeiro destino para onde viajei sozinha. Talvez porque a cidade é charmosa mesmo. Só sei que vale a visita (ou, pelo menos, a escala no caminho para a Patagônia). A principal dica sobre a cidade é: visite os pontos turísticos mais famosos. Mas como nós gostamos de construir memórias, eis algumas experiências para se viver na capital argentina:

A sede do governo argentino fica na Plaza de Mayo, palco de grandes manifestações. Visitas guiadas podem ser agendadas no site oficial

1. Tomar um café no palco

Talvez não precise tomar o café. Mas como fica no antigo palco do teatro que hoje é uma das livrarias mais lindas que já vi, vale a visita. A livraria é a El Ateneo Grand Splendid, da Avenida Santa Fé, e fica a um quilômetro, mais ou menos, do Cemitério da Recoleta.

Teatro antigo com pinturas no teto, cortinas no palco ao fundo e prateleiras de livros.
Vai dizer que não é uma das livrarias mais lindas que existem?

2. Fazer passeios inesperados

A visita ao Cemitério da Recoleta não só é uma experiência divertidíssima por causa das excursões de turistas de navios,  mas é também uma ida a um museu (macabro) a céu aberto. Juro que parece um parque. Mais de 90 esculturas são consideradas monumentos históricos. O melhor é que, na pracinha em frente ao cemitério, tem feirinha de artesanato. E do outro lado da pracinha, tem barzinhos bons e várias opções de comida.

3. Disputar espaço para tirar foto na Galerías Pacífico

Brincadeiras à parte, a área central desse shopping center é bem bonita. E se você for no fim do ano, tem uma árvore de Natal bastante charmosa (há alguns anos, costuma ser temática de Carolina Herrera). Além disso, é sempre bom saber onde tem uma praça de alimentação (e um banheiro limpinho) na Calle Florida, que é uma atração turística, porém é um calçadão de centro.

4. Sentar na praça e ver a vida passar

Você provavelmente vai fazer isso no parque no entorno da Floralis Genérica. Mas o que eu mais gosto em Buenos Aires é que praticamente toda rua é uma alameda, com árvores quase de ponta a ponta. Então sempre gosto de aproveitar para tomar um sorvete numa praça, ou pegar um suco e comer debaixo das árvores. E como tem muita praça pelo caminho, são muitas opções para pausas. Gosto muito da Plaza General San Martin. E me perdendo caminhando pela cidade na minha primeira visita, descobri a praça abaixo (que, aliás, aparece no filme Medianeiras!).

A Plaza Cataluña foi minha primeira descoberta ao me perder em Buenos Aires

5. Adquirir bolhas nos pés

Ok. Essa dica é meio ruim. Mas foi o que aconteceu todas as vezes que estive em Buenos Aires. Como é uma cidade com várias regiões planas, tipo entre a Recoleta e Palermo, ou entre a Recoleta e o Centro, pensei: “pra que metrô? Vou andando”. Uns 10 quilômetros de sapatilhas depois, eu decidi nunca mais viajar sem um tênis. Nesses bairros, é bastante tranquilo andar a pé, então dá para encontrar um café, ou uma unidade do Havana, ou uma sorveteria. Caminhe em Puerto Madero de um lado ao outro (os restaurantes de lá são mais caros!), caminhe em San Telmo de um lado ao outro (desviando das barraquinhas), caminhe muito!

Estátua da personagem Mafalda, do artista Quino, em banco de rua
A Mafalda, do artista Quino, fica em San Telmo só esperando para sair na foto

6. Aproveitar os transfers

Eu só peguei táxi na rua em Buenos Aires uma vez, no desespero, porque era 1º de janeiro e eu precisava chegar logo ao aeroporto. O problema é que a fama negativa deles nunca vai embora. E como viajar sozinha tem suas particularidades, eu optei pelo transfer do Tienda León. Comprei na hora, no balcão do aeroporto, e aí já reservei a volta também, para um horário cedo. Ele vai até um “terminal” da companhia e depois você troca para um táxi (incluso) até seu hostel. Ou você pode pedir para o seu hotel reservar um táxi para você.

7. Deliciar-se com o doce de leite

Sério. O doce de leite deles é muito gostoso e provavelmente vai ter no seu café da manhã, para comer junto com uma medialuna, que é um croissant sem recheio e bem macio. Tostadas, em geral, são um misto frio (fica a dica) bem quebra-galho para a hora da fome. Ao invés de um pão de queijo, a empanada é um lanche rápido que vale por uma refeição. Vale estudar também o  “almoço executivo” que é oferecido em vários restaurantes. Prato principal, sobremesa e uma taça de vinho por um valor fixo. Por que não?

8. Turistar sem limites por Buenos Aires

Ah, o Caminito… como não amar as cores e os sons? Cuidado com batedores de carteira, porque é muito cheio. Tem restaurantes gostosos por ali também. Eu honestamente adorei visitar o La Bombonera. O passeio de museu + visita ao estádio custa uns 42 reais e você chega bem pertinho do gramado. Esse é um daqueles pontos de Buenos Aires onde é super ok caminhar pelo Caminito e super ok pegar a rua até a Bombonera, e super ok ir embora da Bombonera até o metrô. Mas não é muito bom de perambular. Então pergunte no hostel qual ônibus pegar para se perder menos. Eu peguei ônibus e metrô de boa por Buenos Aires, aliás.

Quanto ao dinheiro, o peso argentino está bem desvalorizado, e, assim como no Chile, compensa levar reais e trocar lá. Pode ser no aeroporto mesmo, no Banco La Nación, que a conversão costuma valer a pena. Achei mais difícil encontrar casas de câmbio boas e abertas em outras regiões da cidade.

Como eu já fui quatro vezes (!), confesso que a maior parte das coisas bem turísticas eu fiz há alguns anos. No começo de 2018, eu só comi doce de leite e bebi vinho. E em 2017, fui caminhar pelo Puerto Madero e fazer comprinhas na Calle Florida. Mas eu amo Buenos Aires. Voltaria mais e mais vezes, se pudesse. Quem vem comigo?

O Xóia mostrou um pouco de Buenos Aires lá no Instagram!

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5 dicas para uma viagem de navio https://www.viajao.com.br/bkp/dicas-viagem-navio/ https://www.viajao.com.br/bkp/dicas-viagem-navio/#comments Tue, 25 Dec 2018 12:00:45 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=10957 Por-do-sol em alto marÉ aquela época do ano… muita comilança, muito tempo de folga, muito pôr-do-sol no mar… sim, é temporada de cruzeiros no Brasil!

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É aquela época do ano… muita comilança, muito tempo de folga, muito pôr-do-sol no mar… sim, é temporada de cruzeiros no Brasil! Todo ano, de meados de novembro até abril, portos brasileiros recebem navios que cruzaram o Atlântico (ou o Pacífico) para passar um tempo por aqui. Segundo a CLIA Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), sete navios passarão pelos pelo Brasil na temporada 2018/2019. Isso sem contar as opções de cruzeiro em outros países sul-americanos.

Passar as férias em um navio tem muitos pontos positivos. Dá para conhecer mais de uma cidade em uma só viagem, não precisa ficar trocando de hotel, nem se preocupar com onde comer. É um orçamento fácil de planejar e tem muita atividade a bordo. Por outro lado, tem algumas particularidades tipo o enjôo, como pegar fila para descer nos portos ou passar mais de um dia sem sair do navio. Se você está pensando em fazer um cruzeiro, eis algumas dicas para te ajudar a planejar.

1. Existem muitos tipos diferentes

A maioria dos cruzeiros é bem parecida: alguns restaurantes variados inclusos na tarifa, outros que você paga à parte; um (ou mais) jantares formais; baladinha à bordo; piscina; e por aí vai. Mas existem cruzeiros de aventura. Outros são menos formais e não tem o jantar com o comandante. Tem os atraentes cruzeiros pelo Caribe e pelo litoral brasileiro. Mas tem também rotas famosas pelo Alasca e pelos fjords noruegueses. Então, se você achava que cruzeiro tinha que ter clima de praia-piscina-balada, fica a dica que existem muitos destinos alternativos e interessantes.

2. Comece por um trajeto curto

Eu adoro o mar, estava super empolgada para o cruzeiro e não tenho nenhum problema em passar meu dia de férias lendo no bar do navio. Mas comecei logo com uma viagem de quinze dias pela Patagônia, que inclui mais de um dia sem parar em nenhum porto – e dois dias seguidos em alto mar. Tanto tempo sem descer do navio pode não te atrair. A boa notícia é que existem muitos trajetos na costa do Brasil que duram menos de uma semana. Que tal começar com um desses?

Arco-íris ao lado do deck de navio, em um fjord chileno
Mas me diz se dois dias com essa vista não parece interessante?

3. Cabines no meio do navio sacodem menos

Sabe aquela suíte maravilhosa, com varanda, vista para o mar e nada mais? Sacode muito. A tripulação me contou que a parte central do navio é mais estável do que a popa (a parte de trás) e a proa (a parte da frente). Também vale estudar os preços das cabines externas e internas.

Oceano visto por escotilha a partir de cabine com vista parcial
Essa era a minha “vista parcial”

As externas (que tem janela ou varanda) são mais caras do que as ficam no parte de dentro do navio. Existem também as com “vista parcial”. Isso quer dizer, em geral, que tem janela, mas tem algo do lado de fora, como algum dos barcos de apoio (chamados tenders).

No Norwegian Sun, da Norwegian Cruise Line, que faz o trajeto pela Patagônia, por exemplo, a vista era parcial porque, entre a janela e a lateral do navio, tinha uma pista de caminhada.

Montanhas de trecho dos fjords chilenos.
O trecho mais tranquilo do cruzeiro pela Patagônia foi o dos fjords chilenos

4. Pesquise pacotes e possíveis gastos extras

É muito fácil planejar os gastos para uma viagem de navio. Afinal, em um só preço, está incluso quarto, alimentação e bebidas não-alcoólicas. Adicione o custo de ir e voltar do porto (o meu cruzeiro saiu de Valparaíso, no Chile), e leve um pouco de dinheiro para gastar nas cidades onde vai parar, e pronto. Eu me planejei para fazer as refeições sempre à bordo, e aí sobrou dinheiro para fazer os passeios em terra (tipo ir até o Parque Nacional Tierra del Fuego).

Rachel ao lado da placa da Rota Nacional 3 no Parque Nacional Tierra del Fuego, na Argentina
Não sei você, mas uma placa que “fim da rota que vai do Alasca ao Ushuaia” me deu uma vontade de conhecer o começo dessa estrada…

É importante ficar de olho no preço da cabine. Como elas costumam ser duplas, se você viajar sozinho, vai pagar, pelo menos, um adicional para ficar com a cabine só para você. Se a sua tarifa não incluir bebidas alcoólicas, é possível adicionar um pacote de bebidas, para não se preocupar com esse gasto durante a viagem. E vale lembrar que as companhias podem cobrar uma “taxa de serviço” fixa a ser paga a bordo, que é tipo uma gorjeta fechada para todos os garçons e atendentes do navio.

5. Prepare-se para um mochilão “à la caramujo”

A melhor parte do cruzeiro para mim foi conhecer várias cidades em uma só viagem. Ou seja, não tinha que ficar arrumando a mala, indo para o aeroporto, fazendo check-in em hotel… O quarto era meu por quinze dias e nove cidades. Mas também tive que fazer uma mala que fosse do calor de Santiago até o frio de Ushuaia (foi mal, Marina, mas não consegui viajar só com mala de mão dessa vez…).

Além disso, como passei por águas internacionais e fui até Falkland Islands, precisei levar o passaporte. Quem ficou responsável pelo meu passaporte, aliás, foi a tripulação, que cuidava dos documentos de imigração nas trocas de países. Mas tinha que ficar atento aos papéis que tínhamos que deixar preenchidos nas noites que trocávamos de país. Além disso, em um cruzeiro, sua única opção de tratamento médico é o do próprio navio. Ou seja, é importante fazer seguro de saúde, como em todas as viagens, para cobrir qualquer gasto que surgir.

Rachel no deck superior do navio, no porto de Valparaíso
Lutando contra o vento no deck do navio antes de seguir para o frio da Patagônia…

Mesmo com todos os meus erros de principiante tipo achar que eu não ia passar mal, eu adorei o esquema de férias em cruzeiros. Gostei dos restaurantes, de “viajar no hotel” e, principalmente, dos fins de tarde em alto mar. Tem lugares que só dá para conhecer a bordo de um navio e perspectivas que só o oceano proporciona mesmo.

Encontro do oceano Pacífico e do Atlântico, próximo ao Cabo Horns.
Mais uns 400 km e eu chegava na Antártica!

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Caminhada na geleira Perito Moreno https://www.viajao.com.br/bkp/trekking-perito-moreno-argentina/ https://www.viajao.com.br/bkp/trekking-perito-moreno-argentina/#comments Thu, 08 Nov 2018 10:00:00 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=10689 A Patagônia é uma região cheia de encantos. E o Parque Nacional Los Glaciares, no sul da Argentina, é um dos destinos mais procurados. Como se a paisagem das geleiras já não fosse deslumbrante, ainda é possível caminhar no Perito Moreno.

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A Patagônia é uma região cheia de encantos. E o Parque Nacional Los Glaciares, no sul da Argentina, é um dos destinos mais procurados. Como se a paisagem das geleiras já não fosse deslumbrante, ainda é possível caminhar no Perito Moreno – e esquecer que a gente saiu da Era do Gelo por algumas horas. Na minha primeira aventura no gelo, eu fiz o mini trekking – e é um passeio que eu repetiria fácil!

Mini trekking na geleira Perito Moreno, no sul da Argentina
Passeio pela geleira Perito Moreno é de tirar o fôlego!

Perito Moreno

O acesso ao Perito Moreno é pelo Parque Nacional Los Glaciares, que fica a cerca de 80 km da cidade de El Calafate. Dá para ir até o parque de ônibus, táxi ou “por meio próprios” (tem alguns bolsões de estacionamento). Mas se você reservar algum dos passeios, pode adicionar o transfer. Aí, te buscam no hotel e te levam de volta depois do tour. O parque fica aberto o ano inteiro e os horários estão no site oficial, mas as datas do trekking variam. O mini trekking não acontece nos meses de inverno (junho-julho). Já o Big Ice só tem saídas entre setembro e abril. Várias empresas de turismo fazem passeios até o parque e oferecem a reserva do trekking, que é realizado pela concessionária Hielo y Aventura (eu reservei direto com eles).

Antes da caminhada

A van me buscou no hostel bem cedo. Depois de passar em outros hotéis, seguiu pela paisagem da Patagônia até chegar ao Los Glaciares. A entrada no parque custa $ 600 pesos argentinos, independente de como você chegue até lá – e não está incluída no valor do trekking. Um guarda do parque entra no ônibus seja da excursão, seja da rodoviária, para recolher a tarifa (tem que ser em dinheiro!) e entregar o ingresso. E também uma sacolinha de lixo, porque não tem lixeiras pelas trilhas. A ideia é que todo o lixo gerado lá seja levado de volta para a cidade, para ser jogado no lugar correto.

Vegetação da Patagônia a caminho do Parque Nacional Los Glaciares
Esperava mais frio, porém menos vento…

A primeira parada é no acesso às passarelas de observação. São pouco mais de 2 km de passarelas, mas nesse momento, só dá tempo de ir ao mirante central – e já dá para se impressionar com a geleira. O Perito Moreno tem 5 km de largura no ponto que dá para ver da passarela. São 50 metros de altura fora da água e mais 120 metros para baixo do nível do lago Argentino. Até o pico, na Cordilheira dos Andes, são 30 km de extensão.

Passarelas no entorno do Perito Moreno
São dois quilômetros de passarelas para observar a geleira

Depois dessa parada, o grupo segue para um pier e entra em um barco. A travessia pelo Brazo Rico do lago dura uns 20 minutos. Daí você chega a uma base de apoio onde deixa as mochilas e faz uma pausa para lanchar. Vale lembrar que tem que levar a própria comida ou comprar na lanchonete antes de ir para o barco (mas cuidado com os horários de funcionamento…). E então, começa a aventura.

No gelo

Grampos no tênis para trekking na geleira
Prende no gelo… e na barra da calça também.

Antes da caminhada, o guia dá orientações gerais e conta um pouco do Perito Moreno. Então a equipe do passeio amarra grampos no seu tênis e te orienta sobre como caminhar no gelo. É mais fácil do que parece! Os grampos não são tão pesados assim e dão muita estabilidade na caminhada. 

O mini trekking dura uma hora e meia, com algumas paradas no trajeto para observar formações interessantes de gelo. Por exemplo, sabia que tem água corrente no meio da geleira? Os grupos são pequenos e espaçados – e o passeio passa rápido demais! Não cansa tanto, nem é tão frio quanto eu pensava. Quando termina, você pensa: “devia ter feito a caminhada longa!” O Big Ice dura o dobro do tempo e vai até outros pontos da geleira. Mas deve ser cansativa para pessoas (como eu) que não tem hábito de fazer trilha de montanha.

Foto durante trekking no Perito Moreno
Pausa para foto no meio da caminhada…

Depois da caminhada, você fica um tempo na base esperando o horário do seu barco para voltar para o porto Baja de Las Sombras, de onde sai o ônibus de volta para El Calafate. A trilha sonora durante todo o passeio são os blocos de gelo que se separam da geleira e caem com estrondos no lago! E se você tiver sorte, essa é a vista também.

Local da base de apoio à caminhada na geleira
Não é um mal lugar para esperar o barco…

Informações práticas

El Calafate fica a cerca de 3h30 de avião de Buenos Aires e os vôos são frequentes. A cidade tem uma boa rede de restaurantes, hotéis e pontos turísticos – embora os passeios envolvendo as geleiras sejam a grande atração. Só que não é um passeio barato. A caminhada custa em torno de $ 3.600 pesos argentinos, o que dá uns R$ 370 (sem contar a entrada no parque). Também tem restrição de idade: de 10 a 65 anos. Mas é uma experiência incrível, se você conseguir encaixar no orçamento. E apesar do vôo longo (três horas até Buenos Aires e mais 3h30 até El Calafate), é um excelente destino para um feriado prolongado ou férias mais curtas. Depois de fazer um cruzeiro pela região e a caminhada na geleira, a Patagônia se tornou um dos meus destinos favoritos.

Geleira Perito Moreno a partir da passarela do Parque Nacional Los Glaciares
Talvez um dos cenários mais impressionantes que já vi…

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Colaborões https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-21/ https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-21/#comments Tue, 14 Jun 2011 10:00:37 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=2964 Sabe que dia é hoje? Terça-feira risos. É mais um daqueles dias para lermos histórias das mais variadas vindas de

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Sabe que dia é hoje? Terça-feira risos. É mais um daqueles dias para lermos histórias das mais variadas vindas de VOCÊ, caro viajão.

Basta mandar a sua para souviajao@gmail.com e sentir o peso da FAMA! Como fez o Bruno Nagalli, quase um geólogo, que já foi nosso fotógrafo diversas vezes, já ganhou milhões dos cofres do Viajão, e agora conta uma aventura pelos vulcões chilenos.

É, um desses danados (to falando dos vulcões, ok?) tem entrado em erupção e ferrado voos até aqui no Brasil! Por isso, hora de descobrir se é legal visitá-los e hora de torcer pra que fiquem adormecidos pra sempre mess! (se liga nas fotos espetaculares batidas pelo Nagalli)

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belo vulcão adormecido

Aguardava ansiosamente a oportunidade de escrever para os grandes amigos viajões. Ainda mais podendo juntar Geologia, Viagem e Fotografia. Então, aí vamos nós… SENTA QUE LA VEM HISTÓRIA…

Em julho do ano passado tive a oportunidade de fazer umas das viagens mais marcantes e que mudaria meu estilo de viajar. Parti de Buenos Aires, Argentina, para Santiago, no Chile, e de Santigo a Puerto Mont, 850km ao sul (eu já sabia esse dado) eu olhei no Google Earth.

Puerto Mont localiza-se em uma região chamada por muitos de “Lagos Andinos”, próximo a Bariloche, na Argentina (se localizaram? não né? então olha o mapa!). Nessa região as montanhas dos Andes são mais baixas do que em outros países mais ao norte e a travessia dos Andes é facilitada por uma enorme quantidade de lagos, que já eram utilizados por antigos povos indígenas da região, chamados de Mapuches.

Encontram-se nessas áreas andinas uma série de vulcões alinhados de maneira norte-sul. Dentre eles, os mais facilmente vistos na paisagem são Osorno, Calbuco, Puntiagudo, Tronador e, o atualmente famoso, PUYEHUE.

Há mais ou menos 20 mil anos essa região era toda coberta por gelo, em um momento da história da Terra que nem existiam ambientalistas para falar sobre aquecimento global!

Com o fim da Era Glacial, há mais ou menos 12mil anos, as geleiras e os vales glaciais, que antes eram cobertos e condicionados pelas geleiras, derreteram igual sorvete no sol!, e conforme as geleiras recuaram, foram formando essa grande sequência de lagos que tendem a se orientar de maneira leste-oeste.

No entorno desses lagos ocorre uma série de vulcões que para aqueles que lembram dasaulas de geografia do colégio foram formados pelo choque das Placas Tectônicas do Pacífico e Sulamericana.

(Se você acha que sua avó é velha, escuta essa…) Os primeiros vulcões dessa região surgiram há 60 milhões de anos… e até hoje estão em atividade… sendo que um vulcão é considerado ativo quando ele entrou em erupção ou teve alguma atividade nos ultimos 10.000 anos.

Bom.. Voltando ao tema principal.. a viagem consistiu em dois dias na cidade de puerto Varas que está à beira do lago Llanquthue e de frente ao Vulcão Osorno, um dos lugares mais belos que já vi na vida. Depois, mais dois dias fazendo o “Cruze dos Lagos Andinos”(cruze = cruzamento em español), com direito a dois dias em Bariloche e mais dois dias de volta a Puerto Varas.

A pequena cidade de Puerto Varas conta com arquitetura holandesa e alemã típica na maioria das construções.
Seu grande ponto turístico é o vulcão Osorno, que pode ser visto de qualquer rua da cidade, sendo que o frio faz um convite a um bom chá com tortas no estilo “alemão-holandês” vendidos nas cafeterias da cidade. Realmente a parte de toda a viagem em que mais gostei foi poder ficar admirando o vulcão à beira do lago.


Além dessa cidade e de outros pequenos vilarejos na região, fui para o Cruze dos lagos Andinos, que nada mais é do que passar dois dias cruzando os Andes de barco e ônibus em meio a lagos e estradas cobertas por neve, até chegar a Bariloche na Argentina.


Esse é um pacote turístico bem famoso e ofertado por varias companhias de viagem, o custo não é dos mais agradáveis aos bolsos estudantis, mas para quem gosta de neve, natureza e paisagens bonitas, é passeio obrigatório!

O caminho é basicamente curtir a paisagem de lagos de água verde e montanhas geladas. Os barcos que fazem as travessias dos lagos são bem equipados e oferecem conforto chocolate quente e café para aqueles friorentos que não querem curtir um frio do lado de fora.! Passar algumas horas por dia cruzando de barco um daqueles lagos foi uma experiência única e que recomendo muito!

Depois de chegar a Bariloche e também curtir por lá, retornei a Puerto Varas. Lá, pude passar ao lado do tão famoso vulcão Puyehue. Que nada mais é do que uma super montanha de cinzas e lava, coberta por gelo (e nuvens), que ficou na paisagem! Mas que para um estudante de geologia é simplesmente algo magnífico.

Pra resumir a história, passei mais DOIS dias admirando a cidade de Puerto Varas e outras cidades próximas, curtindo como bom viajante gordinho a boa culinária do salmão local e tirando fotos.. muitas fotos!!!

O vulcão Puyehue entrou em erupção há alguns dias, como todos sabem, e sua nuvem de poeira atrapalhou o espaço aéreo de vários países e vc achava que o pum da vovó que era potende neh?. Curiosidade: você sabe do que é feita essa tal de poeira que tanto ferra com nossos voos? Ela é composta por vidro vulcânico.. isso mesmo.. VI-DRO… feito da mesma coisa que o copo de requeijão da sua casa…

Essa nuvem de pequenos “copos de requeijão moídos” pode viajar centenas de milhares de Km… isso mesmo.. se vc achava que @xoia, @coqss e @amandamalucelli eram viajões, lhes apresento um grande viajão!

BOM… chega de anedotas por hoje… e um abraço a todos que tiveram a grande paciência de ler isso! #phykdyk

“A verdadeira viagem da descoberta não é ver novas paisagens, mas ter novos olhos.” ( Marcel Proust)

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