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]]>A maioria das minhas viagens eu fiz no verão ou na primavera local. Na verdade sempre meio que fora de temporada, pois os preços são mais baixos e tem menos turistas pra competir. Além disso, temperaturas amenas são melhor para o humor e para os passeios. Então foram marços no Nordeste e setembros em Nova York…
O fato é que o clima altera nossa percepção, assim como o estado a companhia e o estado de espírito quando se vai assistir um filme, e por isso resolvi coletar alguns depoimentos de pessoas que foram para os mesmos lugares que eu, em épocas diferentes, eis o que descobri:
Camila Lucchese, 21 anos, melhor amiga desde a infância. Desafio: LIDAR COM O FRIO e preparar o vestuário.
“O que mais me motivou quando decidi ir pra Nova York em janeiro foi a neve. E as promocões de inverno, e claro! Pesquisei em vários blogs o tipo de roupa necessario para aguentar o frio abaixo de zero, que nós, moradores de Curitiba, pensei, já estaríamos acostumados.”
“Peguei algumas ceroulas, meia-calça de lã, luvas, gorros, cachecóis e um sobretudo, sabendo que ia adquirir alguns lá mesmo, pelo melhor preço possivel! ‘O negocio é usar várias camadas, diziam.’ Já saindo do aeroporto percebi que não era bem assim. O vento entra por todos os ‘orifícios’ das suas roupas, gola, mangas, barra da calça, queimando as orelhas, a ponta do nariz.”
“Praticamente escorreguei no gelo que tinha na calcada pois fazia alguns dias que nao nevava, e percebi que definitivamente precisava de uma bota especial, aquelas UGGs tão polêmicas entre fashionistas, mas que esquentam o pé e têm sola de borracha, protegendo destes terriveis escorregões. As luvas de lã que tinha trazido pareciam inexistentes, pois não eram forradas e o vento entra pelos furinhos. Ou seja, eu realmente não estava preparada. Pelo menos temos a calefação e, desta forma, o único lugar em que você sente frio é a rua, onde passamos a maior parte do tempo.”
“Como nem tudo é sempre tão facil, pegamos a maior nevasca em 20 anos, o que tornou praticamente impossível caminhar pelas ruas. Ainda, descobri que as tal UGGs não são tão boas assim, porque a cada pisada no gelo derreitido elas ficavam encharcadas, o que me faz te aconselhar a comprar galochas no lugar. E ainda, pros dias em que está nevando, é imprescindível uma roupa com touca e impermeável.”
Uma coisa que eu e a Camila sempre compartilhamos é a mania por fotos, muitas fotos… mas dessa vez ela falou que tinha até preguiça de largar as sacolas na neve, tirar as luvas e pegar a máquina! E ainda reclamou por estar sempre de bochechas rosas!
“O mais terrível foi a balsa para a Estatua da Liberdade e o topo do Empire State, onde ventava tanto que os dentes doiam e eu me revezava entre tirar fotos e entrar na parte segura e quentinha.”
“O ideal para se aquecer é o chocolate quente, que eu recomento a ingestao de 30 em 30 minutos se você estiver frequentemente no frio.Outra dica é acordar bem cedo, pois 4 horas da tarde já escurece, te dando a sensação de que é noite e você deve jantar e ir dormir. O problema é acordar cedo com aquela paisagem congelante na janela.”
“Tirando tudo isso, a paisagem é linda, matei minha vontade de fazer bonecos de neve e guerrinha de bolas de neve, comprei tudo o que podia e mais um pouco, pois as promoções são realmente incríveis! Tanto que desisti de ir ao famoso Woodburry.”
“Mesmo passando por alguns perrengues, foi uma viagem maravilhosa, amei a cidade, o seu ritmo e lifestyle, e agora morro de vontade de cohece-la no verão!”
Ou seja, o clima muda não só a paisagem, os programas, mas todo o ESQUEMA DE VIDA da galera e dos viajantes, tem que repensar a mala, itinerário, transporte…
Outro exemplo RÁPIDO e bem RELEVANTE eu diria, pelo menos se você sonha em conhecer a Torre Eiffel:
Camila Baptista, 21 anos, amiga desde o colégio. Desafio: ACOMPANHAR A AGENDA DE INVERNO DAS ATRAÇÕES TURÌSTICAS!
“Quase na hora de voltar para o Brasil, finalmente fui conhecer Paris! Acho que fui me despedir do frio, pois Lisboa, onde eu morei durante 6 meses, era bem menos frio que outros países da Europa. Eu e mais duas amigas fomos no início de Fevereiro e, devido ao mal tempo, infelizmente não conseguimos fazer o que TODOS os turistas buscam fazer por lá: subir na Torre Eiffel!!!”
“Mas tudo bem, vivendo e aprendendo. Da próxima vez, das duas, uma: ou vamos em outra época do ano ou nos programamos com antecedência e não deixamos o melhor pra última hora. Mas mesmo assim, valeu a pena. Ao menos subimos até o segundo andar. Tudo bem que não deu pra ver muita coisa devido a neblina, mas deu pra sentir o gostinho e já podemos dizer que subimos na torre (afinal, ninguém precisa saber que não fomos até o último né?).”
Como vocês já devem ter percebido eu sou meio que obsecada por Paris, já a Baptista diz que não gostou taaaanto assim quanto era sua espectativa… Será que isso tem a ver com o clima?
Paris é “O” lugar pra andar de bicicletas de cestinha, deitar na grama dos jardins e fazer pique-niques de vinho e baguettes… e isso acho que não dá pra fazer na neve né?
Enfim, como diria meu amigo Saramago:
“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. (…) É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.”
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