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Arquivos Uruguai – Viajão https://www.viajao.com.br/bkp/tag/uruguai/ construímos memórias Tue, 27 Mar 2012 20:49:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://www.viajao.com.br/bkp/wp-content/uploads/2018/10/cropped-IMG_2510-32x32.jpg Arquivos Uruguai – Viajão https://www.viajao.com.br/bkp/tag/uruguai/ 32 32 Colaborões https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-45/ https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-45/#comments Tue, 27 Mar 2012 10:00:34 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=6713 Galera, essa semana o colaborões está especialíssimo. Meu querido amigo e jornalista Rafael Bonfim é o tipo da pessoa que

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Galera, essa semana o colaborões está especialíssimo. Meu querido amigo e jornalista Rafael Bonfim é o tipo da pessoa que gosta de viajar sem planos, sem mordomias, sem muito dinheiro e sozinho… só que ele faz tudo isso numa cadeira de rodas! Incrível, né???

O Rafa, que já conta um pouco de suas aventuras do mundo da inclusão em seu blog na Gazeta do Povo, o Inclusilhado, hoje conta suas aventuras viajonas neste texto especial pra gente!  Percalços, algumas pedras no caminho, pouco tempo para fotos, mas no fim ele mostra pra quem quiser ver que ninguém tem desculpa pra não viajar!!! Valeu Rafa! 

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O turista de quatro rodas

Quando o pessoal do Viajão me convidou para escrever um post no blog, fiquei muito empolgado. A maneira como a Amanda, o Marcos e o Tiago encaram o ato de viajar e se permitir viajar é aberta, sedenta pelo desconhecido e cheia de improvisos. Na minha opinião, é desse jeito que uma viagem deve ser.

Eu fui convidado a dar o meu depoimento para o Viajão, não só porque eu gosto de viajar, mas porque quando eu saio para isso, preciso pensar em coisas que pouca gente pensa. Eu sou cadeirante, devido a um parto prematuro, e isso faz com que a minha cabeça de turista funcione de um jeito diferente, mas isso não significa que meus roteiros são frustrados por causa disso.

Eu poderia comentar o quão despreparado o turismo está para a pessoa com deficiência e falar da importância da acessibilidade nos hotéis, no comércio e no transporte, mas não é esse o caminho que eu escolhi para contar a minha história de turista.

O primeiro ponto que quero comentar é o fato do despreparo não ser mérito do Brasil. Eu estive em outros países da América do Sul e verifiquei que os problemas que encarei lá são os mesmos que eu encaro aqui. Isso é um problema de investimento e mobilização, sem dúvidas, mas acredito que antes disso, é um problema cultural e de conceito. Pode apostar que é comum você encontrar profissionais do ramo que vão afirmar que deficiente não viaja. Afinal, é tudo tão despreparado, que nem vale a pena ele sair de casa. Essa ideia chega a quase ser uma verdade, sabia?

O Brasil está acordando para isso lentamente e começa a ter alguns projetos mais avançados rumo a um turismo acessível e para que isso aconteça de maneira completa, é necessário trabalhar soluções no transporte, na hospedagem, no comércio e indústria. Acessibilidade para o turista com deficiência não tem somente a ver com quartos de hotéis adaptados. É uma oportunidade do turismo mobilizar a cidade da qual ele faz parte, para que o município trabalhe em conjunto com o mercado turístico. Isso pode atrair um novo tipo de cliente, gerar negócios e movimentar a economia da cidade.

Mas enquanto isso não acontece, os desafios encontrados em um destino despreparado vão continuar ali, e ao meu ver, dão um gostinho especial à viagem. Pode parecer loucura, mas eu gosto de ter a cara de pau de chegar em um lugar que por vezes nunca recebeu um cadeirante.
Esse primeiro contato é o início de uma transformação daquele conceito, porque o atendente, o taxista, o garçom, ou seja lá quem for, percebe que um cadeirante sai sim e sem ninguém. Além disso, volta e meia eu me surpreendo com a gentileza das pessoas.

Quando comento que viajo sozinho, o pessoal arregala os olhos e me pergunta se eu tenho coragem mesmo. Acho que a impressão seria pior se eu comentasse que eu fico hospedado em albergues, hotéis mais em conta, não planejo meus roteiros e vou com pouquíssimo dinheiro.

Eu já passei a virada do ano em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Visitei também Foz do Iguaçu e Montevidéu e em todos os destinos eu não estava acompanhado por ninguém. E a coisa de você estar sozinho quando viaja é muito relativa. Fatalmente você vai conhecer alguém.

Quando fui ao Rio de Janeiro, liguei para mais de 8 albergues. Nenhum deles tinha elevador, nem quartos grandes e nem banheiros com acessibilidade fácil. Eu já sabia disso, então a falta desses elementos não influenciou minha escolha. Eu escolhi o único lugar que me disse “Nós não temos elevador e o acesso aos quartos é por escada, mas venha que a gente dá um jeito”.

Como comentei antes, descobrir como a cidade, ou as pessoas lidam com a questão da inclusão, ou de apoio ao próximo, é um dos trunfos da brincadeira.

O Uruguai me surpreendeu nesse sentido. Nenhum dos lugares que eu visitei ali estava arquitetonicamente pronto para um cadeirante, só que eu nem precisava pedir ajuda. A população se oferecia a me ajudar a atravessar a rua, subir escadas, abrir portas, guardar a cadeira em taxis e por ai vai. O mais interessante é que os uruguaios que eu conheci não faziam nenhum tipo de discriminação em relação a mim. Nem pelo fato de eu ser deficiente,
ou por eu ser estrangeiro e não falar espanhol.

Acabei descobrindo que o gosto pelo turismo de uma pessoa só é uma coisa de perfil, não de condições do espaço e muito menos de destino. Quem gosta de viajar sozinho não vai se importar se está indo a um lugar com luxo, ou rudimentar. Não quer saber se o país tem como idioma o francês, o inglês, o espanhol, ou mandarim. A coisa mais importante para quem viaja sozinho é voltar com boas histórias pra contar, ter conhecido pessoas com pontos de vista bem diferentes dos seus próprios e ter vencido desafios impossíveis de serem vencidos em casa.

Eu tenho outro hábito de turista, que descobri ser péssimo. Eu não registro minhas viagens. Sempre fico com a cisma de me preocupar mais com a foto que tenho que fazer, do que com o momento que eu estou vivendo. Isso é uma bobagem e a foto faz falta depois. Me redimi recentemente e fiz alguns vídeos em Montevidéu, que compartilho com vocês:

Saiba mais sobre as minhas aventuras no mundo da inclusão, no meu blog na Gazeta do Povo,
o Inclusilhado: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/inclusilhado/

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Colaborões https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-36/ https://www.viajao.com.br/bkp/colaboroes-36/#comments Tue, 25 Oct 2011 10:00:01 +0000 http://www.viajao.com.br/bkp/?p=5104 Atenção! Nosso colaborão de hoje vem direto do Planeta Etérnia. Sim, é ele, Esqueleto HE-MAN! Estamos importantes, viu? risos He-man

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Atenção! Nosso colaborão de hoje vem direto do Planeta Etérnia. Sim, é ele, Esqueleto HE-MAN! Estamos importantes, viu? risos

He-man é o apelido do nosso viajão desta terça. Paulo Roberto Missfeldt é jornalista e curte uma aventura sobre duas rodas. Rodou quase 5 mil quilômetros de moto, com um amigo, e nos fala sobre a hospitalidade dos nossos “hermanos” do Mercosul.

Ronque o motor, empine sua moto e viaje com eles por essas estradas! Isso me lembrou Full Throttle, aquele jogo pra PC da década de 90, tá ligado?

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Epopéia de moto quase pelo Mercosul

Olá! Começar um texto escrevendo num site que não é seu sempre é complicado. Mas, o assunto vale a pena! Estou aqui para – começar a – contar, a convite do Xóia, alguns flashes sobre minha viagem de férias, no mês passado. Com um amigo, dei uma volta de moto de quase 4750km pelo Brasil, Argentina e Uruguay.

Na Argentina, lugar de estacionar moto é em cima da calçada mesmo…

Os planos originais eram bem diferentes: em abril, com a minha namorada, etc. Uma perna quebrada, a recuperação, as férias adiadas, cortes no orçamento; vários motivos pelos quais acabei fazendo essa – ótima – viagem no mês passado, sem a patroa, com um amigo meu, o André (na moto dele…), que conheço há pouco tempo, mas já é um grande parceiro de estrada!

André, Alberto e eu. Posando com o mecânico que fez a troca o óleo da minha moto em Corrientes-ARG

Nossa ideia sempre foi: um roteiro-base, sabendo mais ou menos por onde passar, e mais ou menos o que queríamos ver. Pela distância envolvida, saímos de casa no dia 12 de setembro, com a idéia de passar entre 10 e 15 dias fora de casa. Foram 16, e só teria sido melhor do que foi só se eu estivesse escrevendo de algum lugar da viagem ainda…

Nosso roteiro-base era um “quadrado-torto”: Blumenau a Curitiba, de Curitiba a Asunción-PAR, de Asunción a Santa Fé-ARG, de Santa Fé a Punta del Este-URU, e de lá pra casa, porque as férias, a verba e o alvará da namorada não são eternos. Nesse roteiro, passaríamos, claro, pelas capitais Buenos Aires e Montevideo, além de Corrientes (Argentina), e Colónia del Sacramento, La Paloma e Chuy (no Uruguay).

Túnel sob o rio Paraná, ligando as cidades de Santa Fé e Paraná, na Argentina.

A idéia de fazer grandes distâncias de moto não é nova. A internet está cheia delas, com relatos bem melhores do que os meus, e sempre com grandes doses de emoção. Ao contrário do que pode parecer, não é um esquema Easy Rider (fumando marijuana, dando carona pra hippies e apanhando), nem Hell Angels (roubando gasolina, mulheres e cerveja). Se tivéssemos feito isso, aliás, a viagem sairia mais barata, apesar do risco maior…

Andar de moto não tem explicação: ao contrário do normal, a viagem não tem um destino! A viagem toda É o destino! Quando se viaja de moto, não se pergunta “para onde você vai/foi?”, mas “POR onde você vai/foi?”. De moto, a gente acaba fazendo parte do cenário, interagindo muito mais com a população local e, consequentemente, fazendo as duas coisas que eu mais busco numa viagem: conhecer o modo de vida local e esquecer o MEU modo de vida lá em casa…

Empanada artesanal, que a tiazinha tinha acabado de tirar do forno quando chegamos no “boteco” dela, em Cabo Polônio, uma reserva natural no litoral uruguayo

Pequenos detalhes, como ter que ouvir histórias de que “o meu [encaixe algum grau de parentesco aqui] também tem uma moto! E ele já foi pra [encaixe algum destino]” a cada posto de gasolina; entender que motos não pagam pedágio (mas têm que passar por um estreito corredor lateral) na Argentina e no Uruguay; ser escoltado até algum hotel (uma vez pelo leva-e-traz da Renault, outra por uma viatura da Polícia uruguaia) barato e decente, ou mesmo conversar sobre a previsão do tempo no local sabendo que amanhã você estará bem longe dali estão entre as ‘aventuras’ que nenhum viajante CVC viveria…

Passagem lateral para as motos, que não pagam pedágio na Argentina e no Uruguay. Umas moedas a mais!

As motos – uma Shadow 600 e uma 750 cilindradas, fazem barulho e chamam bastante a atenção, já que por lá praticamente não existem motos grandes… Some-se a isso o fato dos pilotos serem dois caras grandes, vestidos de preto e couro, e dá pra ter uma idéia do quanto chamamos a atenção!

E, mesmo com cara de maus (e assustando criancinhas durante todo o percurso), a receptividade argentina e uruguaia é uma coisa extraordinária! Todo mundo chega querendo saber de onde tá vindo, pra onde vai, como que é, quanto tempo tá na estrada, etc… Chega a ser estranho parar num posto de combustível e não conversar com ninguém depois de entrar no Brasil de novo…

Viajar de moto é uma delícia: o único empecilho é controlar a quantidade de lembrancinhas compradas na viagem. E montar/desmontar o “acampamento” a cada parada…

Me esforcei bastante pra não abrir muito os lugares por onde passamos, já que o Xóia prometeu que, se eu escrevesse menos de 50 páginas, eu poderia mandar outro relato sobre onde passamos… E é o que farei, assim que a preguiça deixar for possível.

Ah, o “quase” no título é porque, por sugestão de um amigo de Foz do Iguaçú, cancelamos a passada pelo Paraguay. Com isso, não fomos num baile em Asunción, capital do Paraguay, onde eu vi as paraguaias sorridentes a bailaaaaaar, mas conhecemos Posadas, na Argentina, uma Buenos Aires miniatura: o mesmo charme, sem o ar bucólico de cidade grande. Mais detalhes na próxima!

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Valeu He-Man! E to esperando a segunda parte dessa aventura, contando detalhes sobre os lugares! Pode ser mais 50 páginas agora risos.

Você, viajão, também pode escrever a sua aventura de viagem! Mande pra souviajao@gmail.com e apareça por aqui, toda terça-feira. Ah, e não precisa ser a She-Ra, ok? 😀


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